Não conheço a cidade medieval de Parma, na região da Emilia-Romagna, no norte da Itália. Pena. Precisaria de mil anos para conhecer a Itália e suas histórias. Minha família materna é de Arezzo, na Toscana. Meu bisavô Esaú Scortecci, natural da comuna de Laterina – distante 8 km de Arezzo – imigrou para o Brasil no vapor “Sírio”, no ano da graça de 1889. A comuna de Arezzo fica distante 75 km de Firenze e 195 km de Parma. Essa cidade é famosa mundialmente pelo seu queijo parmigiano reggiano, o popular parmesão, além do famoso presunto de Parma. Lendo sobre a assinatura do Acordo de Associação Mercosul – União Europeia, fiquei sabendo que o presunto “tipo Parma” produzido no Brasil terá que mudar de nome devido ao acordo de livre comércio. O acordo protege nomes de produtos que são originários de regiões específicas na Europa. O termo “Parma” é uma denominação de origem protegida italiana. Vários produtos fabricados no Brasil terão que mudar de nome: queijo parmesão, gorgonzola, presunto de Parma, queijo Feta e a mortadela Bolonha. Tenho algumas sugestões: a mortadela poderia assumir, de vez, o nome popular: “Mortandela”. Explico: quando criança, não conseguia pronunciar “mortadela”. “Mãe, quero comer pão com mortandela!” Ficou, até hoje. Para o gorgonzola, dos arredores de Milão, na Itália, tenho, também, uma sugestão: queijo fungi. Para o queijo Feta, salgado, branco, picante, de origem grega, feito com leite de ovelha ou cabra, sugiro queijo capra e, por fim, para o presunto de Parma, a sugestão é presunto Parmera, em homenagem à Sociedade Esportiva Palmeiras. É justo dizer que Parma não combina com gambá, bambi, peixe, galo, urubu, raposa, leão e outros. Parmera – presunto cru italiano de alta qualidade, feito com pernil suíno e sal marinho – combina com Parma! Aceito outras sugestões, claro. Enviei o texto com as minhas sugestões para o tipógrafo e impressor Giambattista Bodoni (1740 – 1813), que viveu e morreu em Parma, autor do “Manuale Tipográfico” e criador da fonte Bodoni, um dos tipos de letra mais importantes de história da tipografia. Giambattista me respondeu, de pronto, na tinta, no melhor dos versos da noite. Disse-me: “Scortecci, gostei das sugestões. De todas, menos da troca do nome de Presunto de Parma para Presunto Parmera”. Desligou-se. Pensei: Bodoni, gosto é gosto! Já disse: não conheço a cidade de Parma, mas não abro mão do Presunto Parmera. Bodoni, você é um chato!
João Scortecci