“Uma coisa puxa a outra”, era o lema das Indústrias Matarazzo (IRFM). No auge - isso nos anos 1940 - o grupo chegou a controlar mais de 350 empresas, atuando em diversos setores da economia: alimentos, tecidos, bancos, portos, ferrovias e agricultura. A IRFM foi fundada pelo empresário e banqueiro ítalo-brasileiro, Francesco Matarazzo (Francesco Antonio Maria Matarazzo, 1854 – 1937), nascido em Castellabate, comuna costeira da província de Salerno, então parte do Reino das Duas Sicílias. Francesco Matarazzo veio para o Brasil em 1881, aos 27 anos de idade, com a esposa, Filomena Sansivieri e filhos, atraídos pela propaganda do governo brasileiro, que buscava mão de obra europeia, para substituir o trabalho escravo, recém-abolido. No dia 26 de agosto de 1914, uma quarta-feira, funcionários das Indústrias Matarazzo, resolveram criar um time de futebol, o Palestra Itália, entusiasmados pela excursão do Torino-ITA e do Pro-Vercelli-ITA ao Brasil. Os principais nomes da fundação do Palestra foram: Luigi Cervo e Luigi Marzo, funcionários das Indústrias Matarazzo, mais o jornalista Vincenzo Ragognetti, do semanário Fanfulla, órgão de imprensa fundado em 1893, voltado à colônia italiana e Ezequiel Simone, na época membro de várias entidades de cultura italiana em São Paulo. Um detalhe importante: A ata de fundação do Palestra Itália foi redigida em italiano. Palestra é uma palavra grega que quer dizer “local onde se pratica exercício”. Em 1916, no dia 13 de maio, o time estreou no Campeonato Paulista, empatando pelo placar de 1 x 1, com o Mackenzie, na época, vice-campeão estadual. Em 14 de setembro de 1942, com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, o Palestra Itália, foi obrigado a mudar de nome para Palmeiras, adotando, então, as cores: verde e branco. A escolha do nome Palmeiras foi cuidadosamente pensada para manter as iniciais “P” e “I”, em homenagem ao Palestra Itália, e ao mesmo tempo demonstrar lealdade ao Brasil. O nome Palmeiras foi inspirado na árvore-símbolo do Brasil, a palmeira, representando a força, a resistência e a adaptação do clube à nova realidade. Reclamar da arbitragem não é de hoje. Em 1918, o Palestra abandonou a APEA - Associação Paulista de Esportes Atléticos, em protesto à perseguição que sofria dos constantes e frequentes erros de arbitragem. Detalhe: o que acontece até hoje! Explicação histórica: “Os italianos falam com as mãos!” e isso, irritava, profundamente, os árbitros e dirigentes da APEA. O que eu pesquisei sobre a mania dos italianos falarem com as mãos: “Italianos falam com as mãos por razões históricas e culturais, como uma linguagem secundária para se comunicar em um país com muitos dialetos e para se fazer entender durante o período de unificação, além de ser uma herança dos grandes oradores romanos e uma forma de expressar emoções de forma mais vívida e teatral, com mais de 250 gestos específicos que adicionam significado à fala.” Justo. E a mania italiana de adorar dar cotoco? Cotoco é um gesto obsceno do dedo médio, que representa um pênis ereto, sendo considerado um insulto fálico, com origens na Grécia e na Roma Antigas. Nada mais justo, útil e forte que um cotoco bem dado no calor de uma peleja, de uma discussão acalorada. Nós italianos somos seres alucinógenos, marcados pela paixão, com gestos e voz alta e um forte apreço pela boa comida e pelo prazer de “La Dolce Vita”. Já o ato de “dar cotoco”, apenas uma pausa de silêncio, um simples gesto de respiro, um resfolegar divino, um passe no ardor da partida, antes de gritar: Gol. Gol do Palestra!
João Scortecci