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UM H2O EM TEMPOS DE TERRAS-RARAS

Fui um péssimo aluno de química. Um H2O e nada mais. A tal da tabela periódica, um pesadelo dos demônios. Matava o tempo colorindo os quadradinhos da tabela e tentando formar palavras com os símbolos químicos. Tarefa nada fácil, devido à escassez de vogais. Um escândio (símbolo Sc, número atômico 21), metal de coloração branco-prateada, classificado como “terra rara”, é crucial na indústria aeroespacial e na fabricação de ligas especiais de alumínio. Lendo sobre as terras-raras, descobri que hoje são conhecidos 15 elementos químicos – os lantanídeos – chamados de “metais de terras-raras”, essenciais na fabricação de smartphones, carros elétricos, turbinas eólicas e no refino de petróleo. Dizem que o Brasil é o segundo país do mundo em quantidade de reservas de lantanídeos: monazita, bastnasita, xenótimo e loparita e as argilas que absorvem íons, minerais especiais que retêm cargas elétricas, permitindo absorver e trocar cátions ou ânions. Ponto: parei de ler! Já estava entrando em “A guerra subterrânea”, assunto complexo, muito para a minha cabeça. Já disse: sou H2O e nada mais. Olhando a tabela periódica atualizada – isso depois de 50 anos –, notei o quanto ela mudou de cara e ganhou novos elementos. A “danada do capeta” foi inventada pelo químico russo Dmitri Mendeleev, em 1869, e aperfeiçoada pelo físico britânico Henry Moseley, em 1913. Não tenho carro elétrico, não trabalho com turbinas eólicas e não refino petróleo, mas uso três smartphones e preciso – para o meu trabalho – comprar mais um e, em breve, substituir o mais “antigo” deles, que já está pedindo mais íons de lítio. Salvei no aparelho Samsung – desconheço a razão – o PDF da nova tabela. Mais tarde, vou tentar – talvez – cometer um poema periódico, um escândio literário, algo assim. Um detalhe, insignificante: chegou nova atualização do Android, sistema operacional móvel do Google. Desconfio de todas! Já disse: sou um H2O e nada mais.

João Scortecci