Há uma singela e doce diferença entre maluquice e doideira. Meu pai Luiz dizia: “Maluquice é coisa de maluco e doideira é coisa de doido!”. Anotei. Papai era um homem sábio, prático e espirituoso. Li na matéria sobre Inteligência Artificial, do “The New York Times”, publicada na “Folha de S. Paulo”: “Já é tarde demais para deter a ameaça da inteligência artificial”. Resumo catastrófico da matéria: modelos fora de controle, grupos extremistas utilizando a ferramenta, rebeliões contra seus desenvolvedores, ameaças, crimes cibernéticos, fraudes, maluquices e muita doideira. Comentei o assunto com um amigo escritor, entendido em IA e ele comentou sobre um conto que está escrevendo e que talvez vire um livro no futuro. Spoiler do conto: um gigantesco Data Center – Centro de processamento de dados, instalação física que as organizações utilizam para armazenar seus aplicativos e dados críticos – localizado na grande São Paulo, passa, arbitrariamente, a controlar a água e a energia que abastecem a metrópole, escravizando 12 milhões de habitantes. Disse-lhe: “Que doideira! Isso é possível?”. Mostrou-me, então, uma matéria onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia sancionado o Redata – Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center –, que cria incentivos fiscais para estimular a instalação e a ampliação de Data Center no Brasil, com foco em Inteligência Artificial e computação em nuvem. Li a nota. Insisti, então: “Isso pode acontecer?”. “Claro. Não seremos destruídos – fique em paz – seremos arbitrariamente escravizados!”, sentenciou. “Impossível!”, protestei. O amigo, então, olhou-me nos olhos e balançou negativamente a cabeça, aparentemente decepcionado comigo. Provocou-me: “Você é um poeta inocente!”. Mudei de assunto: “Vai publicar o conto?”. Respondeu-me, na lata: “Sim, na antologia de 45 anos da Scortecci”. Silêncio. Meu pai Luiz tinha razão: “Maluquice é coisa de maluco e doideira coisa de doido!”. Sobre os Data Centers: “exigem volumes massivos de água e energia elétrica para operar ininterruptamente e resfriar seus supercomputadores. Os servidores funcionam 24 horas por dia, exigindo uma carga elétrica comparável à de cidades de grande porte. O avanço de ferramentas de IA intensifica o processamento e eleva drasticamente a necessidade de eletricidade nas instalações.” Aqui com os meus algoritmos poéticos: e se o amigo estiver certo? Tarde demais para deter a ameaça da inteligência artificial. E nada mais.
João Scortecci