O médico legista, professor, escritor, antropólogo, etnólogo e acadêmico Roquette-Pinto (Edgard Roquette-Pinto, 1884 – 1954), é o pai da radiodifusão no Brasil. No ano de 1922, criou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro com o objetivo de difundir a educação por esse meio, num Brasil onde 60% da população, na época cerca de 30 milhões de pessoas, não sabia ler. Roquette-Pinto, numa negociação com empresários americanos da Westinghouse, recebeu de presente os equipamentos básicos de transmissão, para criar a primeira emissora de rádio do Brasil. A invenção do rádio é atribuída – com ressalvas – ao físico italiano Marconi (Guglielmo Marconi, 1874 – 1937). O rádio é a união de três tecnologias: a telegrafia, o telefone sem fio e as ondas de transmissão. A primeira transmissão documentada de rádio foi para o jornal de Dublin, Irlanda, e sobre um evento esportivo que ocorreu durante a regata de Kingstown, capital de São Vicente e Granadinas, no Caribe. A invenção, porém, ainda não tinha o formato que conhecemos hoje, porque transmitia somente sinais. A transmissão de voz só ocorreu em 1922. Lendo sobre as tecnologias que fundamentaram a invenção do rádio, deparei-me com a da telegrafia, invenção do físico Samuel Morse (Samuel Finley Breese Morse, 1791 – 1872). A tecnologia consiste num sistema de telecomunicações que possibilita a transmissão e reprodução à distância do conteúdo de documentos, escritos, impressos, imagens fixas ou qualquer outra informação, por meio de impulsos ou sinais elétricos. Essa tecnologia revolucionou a comunicação no século XIX. Samuel Morse foi também o inventor do Código Morse, sistema de representação de letras, algarismos e sinais de pontuação através de um sinal codificado enviado de modo intermitente. Quando menino, isso no Ceará dos anos 1960, meu pai Luiz me ensinou a mexer na engenhoca. Nunca mais esqueci: lê-se o código Morse combinando pontos (sinais curtos) e traços (sinais longos) que representam letras, números e sinais. Cada letra tem uma sequência única. O tempo de um traço dura três vezes o tempo de um ponto. Pausas curtas separam letras, e pausas longas separam palavras. A poesia é morse: palavras pontuadas, frases curtas e longas, enigmáticas, pausadas de silêncios e dores, com espaços teimosos, renitentes, vazios e incertos, inesperados e imortais! Embalei, então, o meu nome: S (...), C (-.-.), O (---), R (.-.), T (-), E (.), C (-.-.), C (-.-.), I (..). Escrito, mais ou menos assim: "Silêncio do corpo, Ontem e hoje: segredos infinitos, Risos na flor, Tesão da alma selvagem, e escuridão: perpétua! Cada dia um cravo, cada noite uma mensagem de fim: inteiras, fracionadas, pontuais, incertas, na imensidão do tempo celeste. Noite de pontos, traços e espaços: manhã de poesia!".
João Scortecci