Kant, ele mesmo, e suas considerações sobre o sentimento do belo e do sublime. Perguntei-lhe: O que queres de mim? Silêncio. Tentei dormir mais um pouco, sem sucesso. Desliguei o radinho. Estava na CBN, no programa “Futuramente” escutando a Martha Gabriel e a Caroline Tamassia, entrevistando o neurologista e professor da UNIFESP, João Brainer de Andrade, um cearense acelerado, também. Imperdível! O cara é bom: espetou no meu cérebro agulhas e curiosidades. Assunto do programa: “A Inteligência Artificial está impulsionando o seu cérebro?”. Anotem: Episódio #33. Recomendo. No meio do papo – do nada – alguém cutucou Kant (Emanuel Kant, 1724 –1804), autor do livro “Crítica da Razão Pura”. E ele veio: ocupou-se de mim. Insisti: “O que queres de mim?”. Silêncio. Levantei-me. Fui ao banheiro, bebi um Nespresso número 8, sem açúcar, e liguei o PC. Digitei no buscador: “Kant e a transição do belo para o sublime”. Anotem. Sobre o conceito do Belo: “calma, ordem e a sensação de harmonia entre a imaginação e o entendimento. Limites claros, o objeto agrada por si mesmo, de modo livre e sem interesse prático, gerando um sentimento direto de alegria e satisfação sensível”. Gostei! Continuei pesquisando. Quanto ao trânsito para o Sublime: “ocorre quando nos deparamos com algo ilimitado, caótico ou grandioso demais para nossa imaginação capturar por completo. Mistura temor, pavor, com fascínio, desde que estejamos em segurança para contemplar a força da natureza ou do infinito. O sublime nos faz sentir pequenos perante o absoluto, mas engrandece a nossa razão ao percebermos que nossa mente pode pensar o que os olhos não alcançam”. Testemunha ocular da história, algo assim. Salvei tudo no bloco de notas. Foi quando, então, Kant, o alemão, resolveu aparecer, dar sinal de vida. Questionou-me, diretamente, com três perguntas filosóficas: “Que podemos saber?”. “Nada mais!”, respondi. Kant concordou, balançando a cabeça. “Que devemos fazer?”. “Respirar o derradeiro sublime!”, respondi. Kant, dessa vez, apenas me olhou. Parecia triste. E, por fim, resfolegou: “Que nos é lícito esperar?”. Não respondi. Pensei – com o coração sublimado de dor: apenas um temor de vida, que os olhos do tempo não alcançam. Um fascínio, talvez. Segurança para contemplar a força da natureza ou do infinito. E nada mais.
João Scortecci