Gosto de ler tudo sobre robôs. Mania antiga, desde a época que li, pela primeira vez, o livro “Eu, Robô”, coletânea de contos do escritor russo Isaac Asimov (1920 – 1992), mestre da ficção científica. Outro dia, li no Facebook – assim que a IA virou febre – um breve comentário de uma moça de nome Sandra sobre os robôs: “Gosto da carinha simpática e amigável dos robôs!”. E logo abaixo, um comentário de um tal de Pedro, sobre a postagem da Sandra: “O que será que eles estão tramando?”. Anotei. Isaac Asimov é o autor das quatro Leis da Robótica. São elas: 1 - Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal; 2 - Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que entrem em conflito com a Primeira Lei. 3 - Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis; 4 - Um robô não pode causar mal à humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra algum mal. Hoje dei de cara com um vídeo no Instagram de um robô japonês, sorridente, coberto com pele viva, criada a partir de células humanas. Confesso: assustador! O que dizia a matéria: os pesquisadores da Universidade de Tóquio usaram um “gel carregado de células formadoras de pele”. E mais: “Especialistas em robôs bio-híbridos esperam que um dia esta tecnologia seja utilizada para criar androides com aparência e capacidade similares aos humanos”. Anotei. Acho – opinião de poeta e nada mais – que os robôs deveriam ter – sempre – aparência de robôs, nunca de humanos. São máquinas! Sinto que a “coisa” anda indo por caminhos estranhos e logo teremos robôs iguais e semelhantes a humanos. Lembrei-me na hora do comentário do Pedro sobre a postagem da Sandra no Facebook: “O que será que eles estão tramando?”. Outro dia conversei com Isaac Asimov sobre o assunto, o que ele achava de tudo isso. Propus, no meio da conversa, a 5ª Lei da Robótica. Segue: “Um robô não pode ter feições humanos!”. Algo assim. Asimov fez cara feia, resmungou, mas prometeu pensar no assunto. “Quando terei uma resposta?”, quis saber. “Depois que eu voltar de férias do espaço! Estou indo numa nave do Elon Musk conhecer o asteroide 5020, batizado com o meu nome!”. Perguntei-lhe, curioso: “E onde fica mesmo o 5020?”. Asimov – todo cheio de si – respondeu-me: “Entre Marte e Júpiter, de volta ao redor do Sol a cada 1.160 dias e de diâmetro de aproximadamente 3,5 km”. Anotei. Aqui com as minhas inquietações: Desconfio que Elon Musk e Isaac Asimov estão tramando alguma coisa! O quê? Não sei.
João Scortecci